Política

"Nós que temos de resolver os problemas do Piauí, não o Lula", dispara Ciro Nogueira

Em entrevista ao PodCosta, senador critica o que chama de "paternalismo nacional" na política piauiense

Por Mikeias di Mattos

22 de maio de 2026 às 15:00 ▪ Atualizado há 1 semana


O senador Ciro Nogueira (Progressistas) usou o espaço do podcast PodCosta, veiculado pelo portal e TV Lupa1, para lançar uma das mensagens mais diretas de sua pré-campanha: o Piauí não pode continuar esperando que Brasília resolva seus problemas e os políticos locais precisam parar de se esconder atrás de figuras nacionais para ganhar eleição.

 Ciro Nogueira no PodCosta - Foto: Mikeias di Mattos/Lupa1Ciro Nogueira no PodCosta - Foto: Mikeias di Mattos/Lupa1   

O recado foi dado com nome e sobrenome. Para Nogueira, a lógica que elegeu Rafael Fonteles governador em 2022, a de surfar na onda do então candidato Lula à presidência, já não serve para 2026. E o que ele chama de "paternalismo nacional" é, na sua leitura, exatamente o que separa uma gestão de resultados de uma gestão de aparências.

A crítica ao governo Fonteles

Nogueira foi direto ao ponto ao se referir à eleição passada: "Na eleição passada, o Rafael foi eleito por ser o 'menino do Lula'. Mas o que foi feito aqui no estado do Piauí? O que mudou na vida da nossa gente?".

A frase condensa a estratégia discursiva da oposição para 2026 de descolar a imagem de Fonteles do capital político de Lula e colocar o governo estadual no banco de réus pela suposta realidade vivida pelos piauienses. É um movimento que a oposição tem ensaiado há meses e que, nessa entrevista, ganhou a formulação mais sintética até agora.

A aposta tem lógica eleitoral. Em estados onde o presidente tem alta aprovação, candidatos governistas tendem a se beneficiar da associação. A contra-estratégia clássica da oposição é justamente o que Nogueira sugeriu: separar o debate nacional do debate local e exigir que o governo preste contas pelo que fez, ou deixou de fazer, dentro das suas fronteiras.

"Ninguém fez mais do que eu"

Se a crítica ao governo foi direta, o tom ao falar de si mesmo foi ainda mais assertivo. Nogueira se colocou, sem rodeios, como a liderança de maior entrega ao Piauí entre todos os que disputam espaço político no estado.

"Eu tenho certeza de que o piauiense vai escolher quem vai fazer melhor no futuro... Por isso que eu me coloco: ninguém neste estado, dos candidatos que aí estão, pode fazer mais do que eu. Ninguém fez mais do que eu, ninguém faz mais do que eu por esse estado", declarou o senador.

É uma afirmação que serve a dois propósitos simultâneos. Primeiro, reforça sua própria candidatura ao Senado em 2026. Segundo, funciona como argumento de transferência de votos para Joel Rodrigues: se Nogueira é quem mais entrega ao Piauí, sua indicação ao governo vale algo.

A retórica do "quem trabalhou mais" é, historicamente, um terreno favorável a parlamentares com mandato longo e capacidade de emenda. Nogueira acumula capital político nessa área chancelado pela falta de contestação dos seus adiversários sobre tal afirmação.

O eleitor como árbitro

Por trás do discurso de Nogueira há uma leitura específica do humor do eleitorado piauiense para 2026: as pessoas estão mais interessadas em saber quem vai melhorar sua vida concreta do que em disputas ideológicas distantes da sua realidade.

"As pessoas querem saber quem vai melhorar a vida delas, quem vai levar recursos para a cidade delas, quem vai trazer investimentos para o Piauí e quem vai mudar a realidade desse estado. Chega de se esconder atrás dos outros. Não é o Lula que vai resolver o problema do Piauí. Somos nós, piauienses", afirmou.

Se essa leitura estiver correta, a oposição tem um caminho. Se o governo Fonteles conseguir mostrar realizações concretas e deslocar o debate para um terreno de comparação de entregas, e não apenas de alinhamentos nacionais, o tabuleiro muda. A eleição de 2026 no Piauí começa a se desenhar exatamente em torno dessa disputa de narrativa: quem governa de verdade e quem governa de marketing.




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