21 de maio de 2026 às 09:16 ▪ Atualizado há 1 semana
O governador do Piauí, Rafael Fonteles, foi o convidado especial do PodCosta, apresentado pelo jornalista Feitosa Costa e exibido excepcionalmente ao vivo pela TV Lupa1 (canal 8.1), pelo YouTube da emissora e em todas as plataformas do Grupo. Durante a entrevista, Fonteles respondeu a perguntas que envolvem questões sensíveis da gestão, da política estadual e do seu futuro na vida pública.
Rafael Fonteles, governador do Piauí, no PodCosta - Foto: Mikeias di Mattos/Lupa1 "Não sou de difícil acesso", diz governador
Logo de início, Feitosa Costa confrontou o governador com uma imagem que lhe é atribuída por aliados e adversários: a de um gestor fechado, de opinião rígida e difícil de ser acessado. Fonteles negou a caracterização, mas admitiu que, uma vez formada uma convicção, a defende com firmeza.
"Quando eu realmente formo uma opinião, eu realmente sou muito firme na defesa daquilo que acredito", afirmou, citando como exemplo a expansão das escolas de tempo integral no estado.
Tensão com Wellington Dias: desapontamento ou harmonia?
Um dos momentos mais tensos da entrevista foi quando o jornalista trouxe à tona os bastidores da composição da chapa majoritária para as eleições de 2026. Feitosa Costa revelou um comentário que lhe foi feito por pessoa próxima ao ministro Wellington Dias: "O Wellington engoliu o que o Rafael fez, mas qualquer hora ele pode desengolir."
Fonteles recusou a narrativa de desapontamento. Para ele, a indicação do ex-secretário de Educação Washington Bandeira à vice-governadoria, em detrimento de nomes ligados ao ministro, foi uma decisão coletiva, construída dentro da lógica dos três principais partidos da base: PT, MDB e PSD.
"Não vejo nenhuma desarmonia ou desapontamento na relação, não apenas entre mim e o ministro Wellington, como também em relação aos demais líderes políticos da nossa base aliada", declarou.
Rafael Fonteles, governador do Piauí, no Podcosta - Foto: Mikeias di Mattos/Lupa1 Prefeitos do PT apoiando Ciro Nogueira: sem perseguição, mas com convencimento
Outro tema espinhoso foi o dos prefeitos petistas que têm demonstrado simpatia pela candidatura ao Senado do senador Ciro Nogueira, da oposição. O governador disse que não pretende partir para a imposição ou perseguição, mas deixou claro que trabalhará até o último momento para convencer as lideranças municipais de que apoiar os pré-candidatos Marcelo Castro e Júlio César é coerente com o apoio ao presidente Lula.
"Política não se faz com imposição, com perseguição, com obrigatoriedade de definição. Nós vamos até o último minuto tentar convencer todos os líderes e as pessoas em geral", disse.
Vice-governador substituído: "não foi uma retirada"
Feitosa Costa também questionou o governador sobre a saída do vice-governador Temístocles Filho da chapa de reeleição, episódio que, segundo o jornalista, já seria a segunda vez que o PT pretereria o político em uma composição majoritária. Fonteles rejeitou o enquadramento e exaltou a parceria com Temístocles, afirmando que a amizade "está intacta".
"Ele foi e é o meu vice-governador. Sou muito grato ao vice-governador Temístocles. Mantenho essa amizade intacta", disse.
Futuro político: Ministério da Fazenda e presidência da República?
O jornalista apresentou ao governador uma narrativa que circula nos meios políticos: a de que o plano seria eleger Washington Bandeira governador, o que abriria caminho para Fonteles assumir o Ministério da Fazenda em um eventual quarto mandato de Lula e, de lá, se projetar como candidato à presidência da República.
O governador descartou o roteiro com firmeza. "Já combinaram com os russos isso aí?", brincou, antes de afirmar que seu foco é exclusivamente o governo do Piauí e, caso reeleito, que pretende encerrar sua carreira pública ao fim de um segundo mandato, em 2030. Reconheceu, porém, que seu perfil é executivo e que funções como a de ministro seriam compatíveis com sua trajetória, ao contrário de cargos legislativos.
Rafael Fonteles, governador do Piauí, no PodCosta - Foto: Mikeias di Mattos/ Lupa1 Porto de Luís Correia, hidrogênio verde e desenvolvimento econômico
Na pauta da gestão, Fonteles defendeu com entusiasmo os projetos estruturantes do estado, especialmente o Porto de Luís Correia e a agenda da indústria verde. Anunciou que nos próximos meses o porto deverá realizar sua primeira exportação de minério de ferro, extraído em Piripiri, para a China, em navios de 100 mil toneladas ou mais.
"O porto do Piauí vai exportar agora, este ano, nos próximos meses, minério de ferro para a China", afirmou, contrariando críticas da oposição que questionam a viabilidade do empreendimento.
Também destacou a inauguração, prevista para 2 de julho, da primeira usina de etanol de milho e sorgo do Nordeste, além de apontar o Piauí como o estado com a matriz elétrica mais limpa do Brasil, com 99,75% de fonte renovável.
Missões internacionais: turismo ou atração de investimentos?
Alvo frequente de críticas da oposição, as viagens internacionais do governador também foram tema da entrevista. Fonteles listou 16 missões ao longo do mandato e defendeu os resultados em dois eixos: atração de investimentos estrangeiros, citando empresas chinesas e europeias no setor de energia, e cooperação educacional e tecnológica com universidades e instituições de outros países.
Rafael Fonteles, governador do Piauí, no PodCosta - Foto: Mikeias di Mattos/Lupa1 Segurança pública, Chico Lucas e o show do Alok
O governador negou que o ex-secretário de Segurança Pública Chico Lucas tenha sido afastado por contestar decisões do governo, como sugeriram bastidores relatados pelo jornalista. Para Fonteles, a ida de Lucas para a Secretaria Nacional de Segurança Pública representa um "coroamento" da política piauiense na área.
Sobre a polêmica em torno do show do Alok patrocinado pelo governo, Fonteles defendeu os eventos como instrumentos de desenvolvimento econômico. Segundo ele, o impacto econômico do show em Teresina foi estimado em R$ 50 milhões, valor muito superior ao investimento público realizado.
Recado final
Ao encerrar a entrevista, o governador agradeceu ao jornalista Feitosa Costa e ao Grupo Lupa 1 pela oportunidade e destacou o momento de "autoestima elevada" que, segundo ele, o Piauí vive, com recordes sucessivos de investimentos e melhora nos indicadores de educação, saúde e segurança.
"Isso é só o começo do desenvolvimento do Piauí", concluiu.
Rafael Fonteles, governador do Piauí, no PodCosta - Foto: Mikeias di Mattos/Lupa1 De segunda a sexta, um resumo dos fatos que importam, direto no seu e-mail e de forma gratuita.
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